Moxabustão – calor terapêutico eficaz



Se você tem atração pelo método e pelos benefícios da acupuntura, conhece pessoas que já resolveram grandes conflitos com os resultados da técnica, mas só de pensar em aplicar agulhas na pele já fica desanimado e pensa em desistir, talvez aqui você encontre a saída para esse impasse.


Estamos falando da Moxabustão, uma das técnicas terapêuticas da Medicina Tradicional Chinesa. O nome em chinês — 灸 - jiŭ significa “longo tempo de aplicação do fogo”, literalmente.

Não à toa, ela comumente é chamada de acupuntura térmica, por trabalhar muitos dos mesmos pontos das agulhas no corpo, só que com o calor.


Funciona da seguinte maneira: a Moxabustão é feita pela combustão da erva Artemisia vulgaris – planta nativa do norte da China, mas já disseminada no mundo inteiro, com diversas propriedades terapêuticas – que é aplicada nos pontos ou meridianos de acupuntura.


Para que haja a combustão da planta, as folhas são separadas do caule, cuidadosamente escolhidas, tratadas e secas. Em seguida são socadas em um pilão e formam uma espécie de lã espessa, que facilita a sua moldagem. Com essa matéria-prima são modelados pequenos cones (com a mão mesmo), esculturas cilíndricas com a base mais larga e o topo bem mais fino.


Na hora da sessão, é nessa ponta mais alta que o terapeuta ateia fogo para produzir calor, como se fosse um pequeno bloco de incenso. Essa, inclusive, é a chamada forma direta de aplicação, ainda utilizada na China, mas não utilizada no ocidente por ser muito agressiva e deixar o fogo entrar em contato com a pele, causando marcas, bolhas e cicatrizes.


Por aqui, o método de Moxabustão mais utilizado é o indireto, em que o terapeuta coloca sobre a pele uma fatia de gengibre, cebola ou alho para transmitir o calor da mesma forma, com a combustão da erva Artemísia, mas com a proteção dos vegetais, sem causar nenhum dano à pele.


Outra forma de produzir calor é em bastão. A diferença começa na maneira de preparar a planta. Depois de desidratar as folhas da Artemisia vulgaris, elas são destruídas com as mãos, como folhas secas mesmo, virando pó.


Esse pó é enrolado como se fosse um charuto, nesse método o terapeuta trabalha com a combustão da ponta do bastão acesa nos pontos específicos para cada caso. Outra maneira de realizar a técnica dessa maneira é colocar as folhas da Artemísia em um bastão próprio e acender o instrumento na extremidade para produzir calor.


Mecanismo de ação


Como foi dito, a técnica segue os mesmos fundamentos da acupuntura, onde a proximidade do calor do bastão ou dos cones em pontos específicos da pele remove bloqueios de energia que obstruem o fluxo pelos meridianos e eleva o estado terapêutico.


Durante a sessão não há dor, pelo contrário, a sensação física deve ser agradável e relaxante. Não é raro a Moxabustão ser usada para complementar tratamentos de acupuntura.


O que acontece é que a Moxabustão, assim como a acupuntura, estimula a circulação sanguínea promovendo uma nutrição dos tecidos.

Por exemplo: no caso de uma dor lombar, o estado dolorido se instala porque o sangue fica estagnado, não circula livremente. Nesse quadro, conclui-se que não acontece a troca de nutrientes entre os tecidos. E a desobstrução do fluxo que o calor da Moxabustão estimula, ao fazer a energia circular novamente, renova toda “a vida” desse processo que está estagnado, faz o sangue circular e promove a autorrecuperação por um mecanismo quase natural.


Indicação


Pela própria natureza de seu efeito terapêutico, através do calor, a Moxabustão, forma uma dupla imbatível com a acupuntura, no tratamento de disfunções e doenças associadas ao frio: dificuldade respiratória, artrite, artrose, congestão nasal, calafrios, gripe, sinusite e rinite.


E pelo calor, que provoca um aumento da circulação sanguínea local e causa um relaxamento (em alguns casos, profundo) e descontração muscular, a Moxabustão é muito indicada para o tratamento de dores musculares, redução da rigidez muscular e problemas na região abdominal como cólicas menstruais crônicas, infecções urinárias, síndromes digestivas, e até outros problemas, com origens diferentes como ansiedade, depressão, enxaqueca e insônia.


Contraindicação


Tem sempre uma turma que é melhor evitar. São eles: crianças; gestantes; diabéticos; pessoas alérgicas a odores fortes; pessoas com queimadura, feridas abertas ou traumas recentes; pessoas com febre; aplicações em mucosas, próximo aos olhos ou no couro cabeludo.